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O casório e os "finalmente"

  • Foto do escritor: Gustavo Tamagno Martins
    Gustavo Tamagno Martins
  • 11 de ago. de 2020
  • 3 min de leitura

Fotografia: Alessandro Waltrick, divulgação

NA FOTO: A igreja matriz de Vila Segredo (Paróquia São Pedro) onde Ema e Laurindo casaram em 1959. A capela foi construída em 1942.


Foi no dia em que completou seus 22 anos que ele selou o seu matrimônio com a filha dos “Cecchin”. O “sim” foi dito na própria igreja de Vila Segredo. O dia 05 de setembro de 1959 foi um sábado chuvoso. Chovia tanto que grande parte dos convidados nem compareceram. Os noivos foram de jipe até à igreja e depois da troca das alianças se direcionaram para a casa de Lindo, onde ocorreu a festança. Parentes, amigos e vizinhos estavam por lá. Fora aqueles que tiveram medo do aguaceiro.


O típico churrasco não podia faltar. O vinho era o refrigerante de hoje e era servido com balde e concha. E quem pensar que tinha arroz, maionese, massas e tudo que uma festa de colônia tem direito, está enganado. Na época só se comia carne mesmo. O churrasco era tal e qual como carne. Nada mais.


As festas eram bem bonitas. Já, as roupas… Bom, deixemos isso pra lá. Ema, como toda noiva, se exibia com o seu vestido branco de pano grosso. Futuramente o tecido se tornou roupas para os filhos. Laurindo estava com a sua roupa social bem simples da roça. Como os convidados moravam todos perto, nem adormeceram. O baile foi a noite inteira e só parou de manhã cedo.


Para você ter uma ideia de como eram os casórios daquela época, segue abaixo uma foto do matrimônio da Teresinha, irmã de Laurindo, com o Setembrino. O casamento de Ema e Laurindo não foi registrado - como grande parte da vida deles.

NA FOTO: um dos casamentos da época. O registro é do matrimônio de uma das irmãs de Laurindo.


OS "FINALMENTE"

Após toda a comilança e baile noite adentro, Ema juntou seus trapos e se aprochegou à casa da família Tamagno. Na casa de dois andares moravam Ema, Laurindo, Olímpio, Angelina Rigo (esposa de Olímpio), Angelina Tamagno (mãe de Olímpio), Adelar, Giuseppe, Félix, Agenor, Miro (o mais velho) e sua esposa Sirlene, João, Odila, Maria, Nilva e Teresinha.


A nova vida por um lado foi boa, mas também muito rigorosa. Angelina e Olímpio faziam todos trabalhar demais. Ambos morreram de câncer - ela no intestino e ele na garganta - e só conheceram dois dos netos, Deoclécio, primogênito de Laurindo com Ema e Altair, filho de Miro e Sirlene.


Ema que acostumada a não ter trabalhos pesados quando solteira, agora precisava ir para a lida na roça. Os chefes da casa eram pessoas duronas e não deixavam nem comprarem chinelos. Eram pessoas tão pão-duras que não colocavam nem banha para fazer o pão.


Das mulheres, quem não ia para a roça, ficava em casa com diversas tarefas. Era lavar roupas, fazer comida (quase sempre pão e sopa com arroz e massa), remendar os trajes de todos eles. As roupas, inclusive, ficavam grossas de tantos remendos que se costuravam. Não sabiam o que era um lençol novo, quem dirá uma roupa nunca usada.


A casa de madeira tinha uma sala bem grande que se enchia de saco de trigo moído e com o tanque de lavar as roupas. A escada dava acesso aos quartos lá em cima. Embaixo só havia o dormitório de Olímpio, o chefe da casa.


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