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Nada doce rotina e os filhos começaram a aparecer

  • Foto do escritor: Gustavo Tamagno Martins
    Gustavo Tamagno Martins
  • 18 de ago. de 2020
  • 2 min de leitura

Fotografia: acervo da família

:: Na foto: Laurindo em uma das diversas casas em que morou com a família.


Os dias quase sempre eram repetitivos. Acordavam de manhã cedo com o grito de Olímpio. Os que iam para a roça - que ficava longe - subiam na carroça puxada por dois burros. E o horário do almoço acontecia lá no local de trabalho mesmo. Uma das mulheres que estava por casa preparando a comida, levava numa cesta à cavalo. Queijo, salame, polenta e massa era o cardápio. Comiam na mão mesmo. Aquela fatia de polenta mole bem quentinha. Já nas refeições dos dias de folga (finais de semana) os 20 moradores comiam na mesa grande que ficava na sala.


E lá ficavam na roça direto, até escurecer. Retornavam de carroça para casa, se lavavam. Nem ouse em pensar que era um chuveiro bem quentinho igual o que temos hoje. O banho era no tanque com uma bacia. Nos tempos mais antigos ainda, o banho era direto do Rio Turvo. Depois de limpos, jantavam e iam dormir para a manhã seguinte repetir o processo. Evidentemente sem rádio nem televisão.


A rotina que se repetia pode ser assemelhada ao processo industrial descrito no filme “Tempos Modernos” em que Charles Chaplin imortalizou a cena de apertar parafusos continuamente.


OS FILHOS COMEÇARAM A APARECER...


A cegonha resolveu presentear o casal após dois anos do casamento. Como não haviam consultas médicas e muito menos testes de gravidez, Ema achou estranho quando a sua menstruação foi interrompida. Logo descobriu que o primeiro filho estava à caminho. Laurindo seguiu a reação dos seus pais e não ficou muito feliz com a notícia.


Hoje se beija a barriga, conversa com o filho no ventre da mãe. Antigamente eram todos sem carinho, corações duros. Ema lamenta que todos os filhos vieram sem o devido carinho.


E num sábado de tarde, à cavalo foram comer menarosto (vários tipos de carne: coelho, galeto, porco…) na casa de Hermenegildo. Como a família de Ema era mais humilde, acabaram tendo que comer sopa de brodo (caldo) de pão. A família já estava com aquele cardápio há um mês, nem café não tomavam.


Após a janta, Ema começou a passar mal e então chamaram uma parteira que morava muito longe. E para começar a miscigenação das duas famílias, nasceu no dia 6 de março de 1960, o primeiro filho de Laurindo e Ema. Menino ou menina? Os pais só sabiam na hora do parto. O nome era escolhido antes de batizar. E assim, se chamou Deoclécio Tamagno.

:: Na foto: Ema em uma das casas que a família residiu, em Flores da Cunha.


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