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De volta à Terra do Galo

  • Foto do escritor: Gustavo Tamagno Martins
    Gustavo Tamagno Martins
  • 9 de set. de 2020
  • 3 min de leitura

Fotografia: Irajá Heckmann, divulgação

A BICHARADA

As diversas mudanças se davam principalmente por causa da ocupação de Laurindo. A família ficava como empregada de agricultores e por isso mudava conforme surgisse trabalhos. Moacir e Ademir trabalharam bastante em parreirais. Moa tinha uma novilha (terneira) que foi vendida por seu pai para ajudar nas despesas da casa. Em um dos serviços, ganhou em troca uma porca preta. E como a leitoa dava cria de quase 12 porquinhos de cada vez, foi assim que a família foi se sustentando. Uma, inclusive, foi adotada por Moacir que lhe dava mamadeira. Era pouca teta de leite para muitos filhotes. Sempre em meio aos animais, Moacir chegou a criar coelhos também.


DE VOLTA À TERRA DO GALO

Um dos cenários desta história - Flores da Cunha - é também conhecido como “Terra do Galo”. A Vila de Nova Trento antes de ser emancipada já foi Distrito de Caxias do Sul. De repente, em um certo dia, o local interiorano com predominância de habitantes imigrantes italianos, recebeu um anúncio: espetáculo de mágica na cidade.


De pronto, a população se mobilizou e foi ver o que era aquilo lá. Com a presença de autoridades na plateia, o mágico e seu ajudante precisaram improvisar algo para impressionar o público. O que aprontaram então? Pois bem. O ápice da atração seria quando o mágico cortasse a cabeça de um galo e com um líquido mágico a colocaria de volta. O que ninguém imaginava é que o ABRACADABRA não passava de um golpe.


O “mágico” percebendo que não conseguiria reverter o quadro do galo já decapitado, pediu licença ao respeitável público para buscar o líquido mágico e com o seu ajudante, “deu no pé”. Após um tempo, perceberam que algo estava errado. A autoridade ainda teve que anunciar que foram todos enganados e tinham fugido com a grana arrecadada na noite. O que por muito tempo causou vergonha aos florenses, se transformou num símbolo da cidade que leva o nome de um ex-governador do Rio Grande do Sul. Se essa história não passa de mais uma mentirinha popular, eu não sei, mas que o apelido ficou, ficou. Co-co-ro-có!


VOLTANDO PARA A HISTÓRIA...

Ema e Laurindo voltaram para Flores da Cunha, mais precisamente para São Gotardo. Gestante da décima e última herdeira da família, Ema deu à luz a Cátia Tamagno. O que ela não sabia era que as dores que sentia na gravidez se tratava de rubéola, uma doença infecciosa viral, de alta probabilidade de contágio. A ocorrência de Síndrome de Rubéola Congênita (SRC) atinge o feto ou o bebê recém nascido cujas as mães se infectaram durante a gestação. E foi o que ocorreu com a última mistura dos Cecchin com os Tamagno.


Além das dores e febres na mãe, a rubéola na gravidez acarreta em complicações para o neném também. Cátia nasceu com malformações congênitas e Síndrome de Down. A pequena nasceu com o “corpo mole”, segundo conta Ema. Passavam dois dias em casa e quatro no hospital. Depois de nove meses de uma vida difícil, Cátia veio a falecer. A menina morreu com o mesmo peso que nasceu e foi enterrada nas gavetas do Cemitério Municipal de Flores da Cunha.


:: Na foto: a última filha de Ema e Laurindo, Cátia que faleceu com nove meses de vida.


Depois de São Gotardo ainda passaram pela Vila Brito (atual bairro União de Flores) e após moraram como empregados na casa da família de Gentil e Bambina Cambruzzi, em Santa Justina. A filha Sirlei já namorava na época e casou-se com um morador dali. Atualmente ela mora na localidade. Na propriedade dos Cambruzzi, Laurindo e os filhos ajudavam nos parreirais e Ema cuidava dos pequenos, das tarefas da casa, da horta que dava boas colheitas e da vaquinha de leite.


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